O ESTADO TOTALITÁRIO E A AUSÊNCIA DE CARIDADE

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Ultimamente tenho ido para o trabalho de metrô. Confesso que é uma experiência sociológica; muitas vezes uma cena de horror diante da selvageria, das conversas frívolas e altas, das “roupas” (ou falta delas) que se usam hoje em dia, para não falar que muitos jovens se sentam no chão, debocham, sentem-se verdadeiros “donos do universo”. Livro e jornal são algo escasso. Todos ou quase todos estão nas redes sociais ou ouvindo música, se é que se pode chamar de música, o funk e outros ruídos mais. Não contentes, querem que os passageiros à sua volta saibam que eles têm mau gosto.

 

Abstraindo-se de tudo isso, sempre me deparo com a mesma cena. Assentos privativos de “idosos, gestantes, pessoas portadoras de necessidades especiais” ocupados por jovens e não tão jovens que fingem não perceber que os ocupam indevidamente.

 

Fico a olhar aquela plaquinha azul e a me lembrar do tempo em que elas não existiam. Do tempo em que cadeirinhas e cinto de segurança não eram obrigatórios. Do tempo em que sal na mesa de restaurante não era assunto de saúde pública; do tempo em que corrigir um filho malcriado com um bom tapa , criava gente decente, que pedia bênção aos pais, que respeitava os avós e professores e  havia  autoridades que eram honestas e trabalhadoras. Do tempo em que direito de propriedade e direito de portar arma eram inerentes à pessoa.

 

Hoje, o Leviatã resolveu regular nossas vidas.

 

O Estado, a quem deveria competir garantir o “bem comum”,  tutelando os direitos dos indivíduos das famílias e dos demais corpos sociais, já que ele existe para o homem, vem, paulatinamente, invadindo a esfera privada de cada um, privando-nos de liberdade e  direitos necessários para que atinjamos o fim último (contemplação da Verdade), perdendo sua própria finalidade, convertendo-se em um órgão antinatural.

Esse Estado Totalitário justifica-se a si próprio como sendo necessário para tolher  o abuso e garantir os “direitos” das minorias.

 

Assim, porque algum maluco ou psicopata resolveu invadir um cinema e matar os que ali estavam, NENHUM de nós pode ter arma para que não possamos cometer o mesmo crime. Não se pensa em punir com rigor aqueles que se desviam do ordenamento jurídico e praticam atos descritos como crimes, mas em impedir que o cidadão , cumpridor de seus deveres e pagador de altos impostos, possa adquirir uma arma (desde que tenha demonstrado aptidão para tal) e se defenda e a sua família de alguma agressão injusta.

 

O Estado babá destina vagas para carros , filas e assentos para idosos, grávidas e demais portadores de necessidades para “educar” o povo.

 

Resultado: os assentos são quase sempre ocupados por quem não atende às especificações acima; e, se isso ocorre, quando um idoso ou uma grávida adentra o meio de transporte, acaba por ficar em pé. Afinal, os assentos deles já se esgotaram e os demais passageiros não se sentem convidados a praticar a caridade, o amor ao próximo, cedendo o seu próprio assento a quem mais precisa. Quando o Estado separa alguns assentos preferenciais, naturalmente as pessoas perdem a noção (que, de resto, deveria ser óbvia) de que, em essência, todos os assentos são preferenciais para idosos e gestantes. Não é exagero dizer que a existência desses assentos (e, acrescento, a da ocupação indevida deles) representa a nossa falência moral.

 

3 comentários em “O ESTADO TOTALITÁRIO E A AUSÊNCIA DE CARIDADE”

  1. Digna síntese para seu lógico, preciso e contundente texto, estimada sra. Raquel, é este fragmento do ilustríssimo historiador argentino: “Nunca o homem se preocupou tanto pelo bem-estar e jamais acumulou uma produção tão grande de porcarias em direta contradição com seus propósitos e ideias hedonistas.” (Excerto do livro “O Espírito do Capitalismo”, do prof. Rubén Calderón-Bouchet).

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