Nice, 14 de Julho de 2.016.

iStockphoto_jerusalem
Fonte da Imagem: http://www.news.uzh.ch/de/articles/2011/die-stadt-der-religionen.html

 

 

Another horrific attack, this time in Nice, France. Many dead and injured. When will we learn? It is only getting worse.[1]

 

Aconteceu mais uma vez.

Novamente na França.

Agora, em Nice.

Mais um ataque terrorista volta a atingir o Ocidente, causando dezenas de mortes e deixando mais de cem feridos. Podemos aguardar, para os próximos dias, líderes e organizações ocidentais vindo a público lamentando o atentado e afirmando que o importante, nesse momento, é evitar uma onda de islamofobia e reforçar o compromisso dos países ocidentais (especialmente os europeus) em abrir suas fronteiras para fluxos cada vez maiores de imigrantes vindos de países islâmicos. Líderes e organizações que, em suma, recusar-se-ão, mais uma vez (e quantas vezes forem necessárias) a enxergar o óbvio que se apresenta à frente de seus republicanos narizes: há uma guerra contra o Ocidente levada a cabo por grupos islâmicos.

Essa guerra não é secreta. Não se podem acusar os que querem nos destruir de esconderem seus intentos ou de dissimularem seus objetivos. Ao contrário, dizem-nos abertamente.[2]Aproveitam-se das leis ocidentais toscamente formuladas para incentivar o multiculturalismo (o que, na prática, equivale a incentivar o fim da nossa cultura) para invadir sem resistência as fronteiras ocidentais e para, uma vez aqui instalados, atingindo-nos com o martelo do terror, impor a sharia e, ao cabo desse processo, abolir nossas leis e fazer com que todos vivamos da forma como eles entendem que devemos viver.

Em suma, a cultura de tolerância implantada há décadas entre nós está sendo especialmente tolerante com aqueles que não nos toleram. O resultado prático é que cada vez mais acomodamos todas as idiossincrasias muçulmanas (e a existência de tribunais religiosos muçulmanos em países europeus – as chamadas “Sharia Courts” – é a prova cabal desse fato), e, para fazê-lo, tornamo-nos nós mesmos intolerantes com nossas próprias expressões culturais e tentamos abafar suas manifestações para não ofender os muçulmanos que nos cercam.

Este bom mocismo, contudo, não evitará o colapso de nossa civilização.

Abrir as portas e acomodar os que querem nos destruir não é uma maneira minimamente inteligente de defender nossos “valores” (seja lá o que nossos líderes entendem hoje em dia por esse termo). A defesa deles implica, naturalmente, defendê-los, primeiramente, daqueles que os querem destruir. Implica perceber, em suma, quem são os inimigos que querem aproveitar-se de nossas leis democráticas para imporem sobre nós suas leis religiosas.

Implica, em suma, perceber que existe uma guerra e que a recusa em aceitar esse fato não faz com que subitamente a guerra deixe de existir.

É claro que, para termos chegado a esse estado de coisas, há muitos elementos que se conjugaram. Qualquer tentativa de dar uma explicação simples à passividade ocidental frente a um inimigo tão fácil de ser derrotado estará fadada ao fracasso.

Mas, definitivamente, um dos elementos que o explicam pode ser encontrado na recusa peremptória do homem ocidental em se deixar interpelar pela realidade das coisas e de aprender com ela. É essa recusa que leva um Donald Trump, meio que atordoado, a formular uma pergunta que, no fundo, está na mente de todo ocidental nesse momento: “When will we learn?”

Quando aprenderemos?

Como é possível que, depois de décadas de terror, depois de décadas de combate aberto contra nós, depois de incontáveis manifestações mundo afora de ódio ao Ocidente, ainda achemos que o melhor que temos a fazer é trazer nossos inimigos para dentro de casa e, se necessário, deixarmos a casa para que eles vivam nelas enquanto nós mesmos as abandonamos para morar nas ruas?

Como é possível que nossos líderes ainda não tenham entendido uma realidade tão fácil de ser entendida?

A resposta é tão simples como aterradora: o ocidental não consegue enxergar a guerra que está sobre si porque, em suma, tornou-se mundano demais para entendê-la. Como disse Chesterton, em seu monumental “Ortodoxia” (g.n.), “pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras.”[3]

Pessoas completamente mundanas não conseguem entender a realidade das coisas, pois a realidade, ora bolas (e esta é a pedra de tropeço de nossos líderes), não é meramente mundana. Fechado na imanência, o homem ocidental tornou-se paulatinamente incapaz de entender a realidade, pois esta se abre necessariamente para o transcendente.

O único preconceito que restou no Ocidente foi o preconceito contra Deus. Há séculos os ocidentais excluíram parcela significativa da realidade das coisas de seus interesses e resolveram que a realidade mesma se resume às coisas mundanas, tornando-se, assim, incapaz de entender o que se passa ao seu redor.

O ocidental, por exemplo, não consegue minimamente perceber (por mais óbvio e ululante que isso seja) que os terroristas islâmicos são… muçulmanos. E, verdade seja dita, como muçulmanos conhecem mais do Alcorão e dos ‘haddith” do que a maioria dos ocidentais jamais conhecerá.[4]

O ocidental não consegue conceber que esses terroristas estão lutando por uma causa que, para eles, transcende essa vida. E não o percebe justamente pelo fato de que, para o ocidental comum, a concepção mesma de transcendência é algo que está para além de seus horizontes.

O ocidental não consegue perceber que o combustível do terror não são as condições materialmente precárias de boa parte do mundo islâmico , mesmo porque muitos terroristas não vivem em tais condições precárias, mas desfrutam de todo o conforto que somente o Ocidente ainda cristão consegue oferecer. E, portanto, não é inundando o mundo islâmico de dinheiro e de bens que a ameaça terrorista retroagirá.

O ocidental não consegue mais compreender que o que alimenta o terrorismo islâmico é justamente a percepção existente entre os muçulmanos de que estamos espiritualmente vazios e de que a islamização do ocidente é, segundo pensam, o maior bem que podem nos fazer. Não entende, e nem pode entender, que a ameaça terrorista crescente deriva do fato de que os que nos atacam percebem ser esse o momento adequado para cumprirem um sonho que alimentam há séculos: conquistar a Europa para o Islã.

O ocidental não consegue perceber nada disso porque, em suma, tornou-se mundano demais para entender a realidade.

Assim, a resposta à pergunta de Donald Trump é uma só: apenas aprenderemos com o que está acontecendo se rompermos com o tabu (que, em boa medida, ele próprio e o seu partido reforçam) de excluirmos Deus e o cristianismo da vida ocidental.

Pois foi essa a exclusão que permitiu chegarmos ao estado de coisas atuais.

E, exatamente por isso, o atentado de Nice, ao matar e ferir pessoas que se concentravam para celebrar o aniversário da Revolução Francesa, é um fato carregado de um simbolismo tétrico. Afinal, é justamente essa revolução o marco histórico a partir do qual o Ocidente resolveu virar as costas a suas raízes cristãs.

Por duro e penoso que seja, as vítimas de Nice, neste 14 de Julho de 2.016, colheram alguns dos frutos amargos das sementes plantadas naquele trágico 14 de Julho do Ano da Graça de 1.789.

Temo, contudo, que os ocidentais, mundanizados ao extremo, não compreenderão sequer esse simbolismo.

[1] Tradução livre: “Outro ataque horrível, desta vez, em Nice, na França. Muiots mortos e feridos. Quando vamos aprender? Isso está se tornando cada vez pior.” – Donald Trump, candidato republicano nas eleições presidenciais americanas deste ano, manifestando-se nas redes sociais logo após os recentes atentados em Nice, França.

[2]É conhecida a frase que um prelado católico, D. Giuseppe Bernardini, disse ter ouvido de um líder muçulmano:  “Graças às suas leis democráticas, nós os invadiremos; graças as nossas leis religiosas, nós os dominaremos.

[3] Fonte: https://sumateologica.files.wordpress.com/2009/07/chesterton_-_ortodoxia.pdf

[4] Nada mais risível do que líderes ocidentais, após a ocorrência de atentados terroristas, citando o Alcorão como que a ensinar os muçulmanos o que diz a religião que abraçaram, como se os primeiros a conhecessem melhor do que os últimos.

Uma consideração sobre “Nice, 14 de Julho de 2.016.”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s