OS ESTUDANTES QUE NÃO ESTUDAM

ocupação

Fonte da imagem: http://www.revistaforum.com.br/2015/12/15/estudantes-de-escola-ocupada-em-sp-relatam-assedio-de-pais-e-funcionarios/

Não sou tão velha e não me recordo, ao longo da minha vida acadêmica, de ver tantos estudantes “preocupados” com tudo, menos com os estudos.

A festejada “democracia” chegou aos bancos escolares e domina a ‘PÁTRIA EDUCADORA”.

Diuturnamente, a mídia registra atos de estudantes, ora ocupando escolas e reitorias, ora ocupando assembleias legislativas, cujas pautas de reclamação, de cunho nitidamente ideológico, voltam-se a questões políticas.

Por outro lado, nunca se viu uma ocupação em que o objetivo fosse melhor capacitação do corpo docente por meio de um sistema de avaliação de desempenho, impondo a demissão na hipótese de não cumprimento da meta imposta, melhores laboratórios para aulas práticas de ciência, bibliotecas com bom acervo, material didático de melhor qualidade e sem doutrinação marxista, instalações escolares dignas, aulas bem dadas, cumprimento integral da carga horária sem greve de professores financiados por sindicatos, etc.

Afinal, tudo isso tornaria o ensino algo sério, apto realmente a levar conhecimento aos alunos, mas isso é demais para esses jovens que tudo sabem. Aprender pressupõe humildade, ciência de suas limitações e sede de saber. Enfim, tudo o que nossos jovens desprezam.

Em outros tempos, administravam-se aos que queriam aprender o Trivium (Gramática, Retórica e Lógica) e o Quadrivium (Aritmética, Geometria, Astronomia e Música), as chamadas Artes Liberais, que, em síntese, representavam um verdadeiro projeto de educação, capaz de fazer progredir o aluno tanto em seu saber quanto em sua vocação mais alta. Capaz, em suma, de apefeiçoá-lo tanto no tocante às faculdades da mente quanto no tocante às do espírito. Esse projeto remonta a alguns autores entre os Santos Padres do início da cristandade, os quais se inspiraram, por sua vez, nas concepções expostas na “República” de Platão, mas, em nossos tempos,foi praticamente sepultado.

Outrossim, para que haja educação, é preciso que tanto os professores queiram ensinar quanto haja alunos realmente interessados em aprender.

Nesse projeto de destruição da Educação, os uniformes escolares foram abolidos na grande maioria das escolas públicas e até mesmo na rede particular já há escolas que dispensam seu uso obrigatório. O professor, autoridade na sala de aula, deixou se ser “senhor” para ser o igualitário “você”, com direito a ser ofendido moral e fisicamente pelos alunos “politizados”, não raras vezes ofendido por não poderem usar seus Iphones, fumar seu cigarrinho, escutar música, conversar com amigos, fazer mercancia de drogas ilícitas etc.

Recentemente em uma escola privada do sul do Brasil, alunas se sentiram no direito de reclamar o uso de shortinho (http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/02/alunas-fazem-mobilizacao-pelo-uso-do-shorts-em-escola-de-porto-alegre.html), contrariando as posturas de vestimenta da escola, as quais foram aceitas por seus responsáveis no ato da matrícula.

O leitor percebe que desde há muito o Brasil padece da desconstrução do modelo tradicional de Ensino, com apoio em Paulo Freire, guru da intelectualidade tupiniquim, corrompendo o ambiente escolar?

É lícito que os alunos tomem controle da escola, paralisem as aulas, impeçam a entrada de professores e de outros alunos no recinto, prejudicando o já deficitário ensino?

O Brasil parece estar moribundo e entorpecido; suas autoridades constituídas parecem ter se rendido e aberto mão de poder de polícia inerente ao Estado. Estamos reféns.

A nós, juízes, resta-nos, uma vez judicializada a questão, garantir àqueles que ainda querem estudar o direito de aprender e aos docentes dispostos a transmitir conhecimento o direito de fazê-lo.

 

Uma consideração sobre “OS ESTUDANTES QUE NÃO ESTUDAM”

  1. Que a Sra. me perdoe, mas os juízes podem bem mais do que meramente garantir respostas à loucura reinante em nível judicial. Podem assessorar, desenvolver e patrocinar iniciativas de cunho cultural, político e educacional que furem o simulacro imposto à população.

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